"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis." Fernando Pessoa
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sexta-feira, 27 de outubro de 2023

Stuck in the middle


 

Não deveriam existir começos

Ou mesmo recomeços

Pois todo (re)começo tem seu fim

E os fins são sempre muito difíceis de engolir

 

Devemos, ou ao menos deveríamos

Viver no meio, ou de meios

Pois os meios se bastam por si só

Não tendo o amargor do final

 

Todo fim deixa suas marcas

Carrega consigo as suas mazelas

Imprime dores onde só se lia felicidade

Traz à tona as diferenças unilaterais

 

E por falta de melhores métodos

Acabamos tendo de impor ou aceitar

O efeito devastador do ponto final

Mesmo onde achamos que não existiria

 

Mas no fim, soando quase que de forma irônica

São caminhos que devemos trilhar

Superando nossas dores e nossas frustrações

Para tentar viver um novo meio enquanto não chega o próximo final


sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Das separações

 

De todas as separações

Sempre existe a dor da ruptura

O sofrer da perda

E a lancinante ferida da decepção com o outro

De ambos os lados

 

Mas as dores dos amores ditos carnais

O amargo fel do fim da paixão

A perda imediata de quem estava planejando o amanhã ao seu lado

São apenas cicatrizes após algum tempo

 

Cicatrizes não doem, ou pelo menos não devem doer

Mas estão ali para nos lembrar da ferida

E, mais que isso, devem nos ensinar com a dor outrora existente

De que precisamos seguir em frente

Pois não há amor ou dor que para sempre dure

 

Mas uma separação em especifico me tirou mais do que eu posso compreender

Deixou longe mais que um sentimento de amor

Afastou de mim o meu pedaço mais bonito

Me faz perder as fases de seu crescimento

Os aprendizados do dia a dia para ambos

E, o pior de tudo, faz ficar ainda mais difícil uma convivência que só está sendo parcial

 

Porém nenhum mal dura para sempre

Ou mesmo tanto amor de parte a parte pode ser esquecido

Ou ainda transformado em algo que não seja puro e belo

Mas dói!


terça-feira, 15 de março de 2022

Ponto final

 


Ponto final, fim, encerramento

Algo que eu nunca quis

Pelo menos não para nós

 

Mas já não existe o nós

Talvez por muito tempo já não existisse

Ou talvez nem mesmo tenha existido

 

Hoje existe você

E eu nem sei o que sobrou de mim

Muito embora os cacos ainda sejam eu

 

Desses cacos não sei se me reconstruo

Se os abandono com toda a dor

Ou se ainda há o que construir

 

A dor imensurável não tem o tal ponto final

Essa não acaba e não se vai

Talvez só acabe mesmo o eu que morreu com o nós

sábado, 6 de novembro de 2021

A herança doce da amargura


 

Da tristeza extraí o que pude

Momentos de alegria puxados da lembrança

Algo que me traga o riso fácil

Que me dê razões de esquecer o que dói

Para poder ter sentido no dia de hoje

 

Nada pude pensar senão no presente

Mas não o presente no tempo

O presente que ganhamos

O filho que recebemos por graça

Aquilo que deixaremos por herança no mundo

 

De tudo que passei, hoje só tenho ele

Talvez a única coisa boa que eu consigo enxergar agora

O sabor doce de algo que azedou

Ou que sempre foi amargo

Um oásis de alegria em meio a um deserto de sentimentos

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Do que resta na perda

 

Eu perdi mais que meu amor

Perdi minha melhor amiga

Aquela para quem eu ligava

Que eu mandava mensagem para contar o que eu vi

Para contar de qualquer coisa

 

Talvez a distância não seja o problema

Pode ser que já estava afastada

E eu, tolo e egoísta, não tinha percebido

 

A dor vem da indiferença

Do saber que eu não faço mais parte da sua vida

De pensar que eu perdi minha melhor amiga

Da certeza que eu não mais importo

 

Quem me dera poder ser algo

Ainda que ínfimo

Um traço

Ou mesmo um pequeno ponto

Dentro do seu coração

 

De toda nossa história

Só me restam as lembranças

Regadas a lágrimas de saudades

De um tempo bom que nunca mais teremos

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

27/10/2021

 


O tão temido dia chegou

A cortina se fechou

O espetáculo acabou

Sem aplausos

Sem plateia

 

O que era para ser uma comédia romântica

Virou um drama

Um filme que nunca imaginei ser protagonista

 

Após minha saída de cena

Um palco vazio, inóspito

Uma ausência total de personagens

E nem mesmo o ator que se desnudou em cena

Está mais ali

 

O show acabou

terça-feira, 26 de outubro de 2021

A dor

 

Dói

Meu Deus, como dói

Minha alma está doendo

Choro de dor, de desespero

Não enxergo um só pedaço de mim que não seja dor

 

Parece que estou sendo cortado ao meio

Vivo e sentindo a dor de ser partido

Despedaçado, destroçado

 

Na verdade estou sendo dividido ao meio

Já que de uma só carne

Seremos dois pedaços separados

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Soneto do fim

 

A dor que ora sinto é enorme

Meu peito, dilacerado, está aberto

O choro não cessa e nem some

Tudo isso ainda estando perto

 

Penso se conseguirei suportar

O aumento expressivo da dor

Quando o mais terrível medo se realizar

O dia que você da minha vida se for

 

Nunca quis que fosse assim

Um romance com prazo

Algo que tivesse fim

 

Não me conformo com meu erro crasso

De perder uma parte de mim

Por te tratar sem o devido apreço